sexta-feira, 24 de janeiro de 2025

A CEGUEIRA ESTRUTURAL PELA ALIENAÇÃO DAS INSTITUIÇÕES PÚBLICAS


Por: João Batista - jbatist7@gmail.com

A estrutura do governo com suas instituições formadoras de mentes, como partidos políticos, instituições de ensino, meios de comunicação oficiais, estão padecendo de CEGUEIRA ESTRUTURAL de tal monta que não conseguem perceber e compreender as formas legítimas de organização social do povo brasileiro.

Por conta dessa cegueira, atropelam as instituições sociais de forma autoritária e desrespeitosa, impondo-lhes filtros absurdos através de editais com exigências “marcianas” e oferece “formação descontextualizada”, como se o equívoco estivesse na sociedade e não na cegueira crônica do governo. Como se a sociedade precisasse se ajustar para caber no governo, invertendo o fato de que é o governo que precisa atender à sociedade.

Se uma política pública não chega aos seus beneficiários, a culpa não é dos beneficiários, mas da má gestão dos gestores públicos. Em geral, os gestores se permitem a essa aberração porque se acham superiores às organizações sociais e acham natural dirigir-se a elas como se fossem inferiores, incapazes e mal gerenciadas.

A incapacidade do governo e suas instituições de enxergar e compreender as necessidades e demandas do povo brasileiro tem levado os políticos eleitos a se apresentarem com um "teto baixo" em perspectivas políticas, muito limitados, resultando em uma gestão medíocre e numa falsa sensação de donos do poder. Quando são cobrados por coerência em relação às bandeiras que os trouxeram ao cargo, eles respondem com a justificativa de que "aqui é diferente, você não entende". Esse comportamento os levarão a perder a próxima eleição.

Quanto às instituições, que deveriam auxiliar o governo na compreensão e na capacidade de diálogo com a sociedade, também estão contaminadas com o mesmo "vírus" que compromete sua capacidade de pensar além das limitações da nossa cultura opressora e negadora do outro colonizado. Essa cultura nega a diversidade de modelos organizativos e promove uma visão autoritária, verticalizada, invasora, colonizadora e etnocida.

Isso acontece porque essas instituições frequentemente estão alienadas das comunidades que, há séculos, exercem sua autonomia de maneira sustentável e significativa para seus membros. Se essas comunidades se encontram marginalizadas, é porque foram colocadas nessa condição pela ação de arrogantes que se apresentam como salvadores. No entanto, esses "salvadores" são, na verdade, instituições que perpetuam práticas coloniais, impondo suas próprias visões e soluções, em vez de ouvir e aprender com as experiências e saberes das pessoas que compõem essas comunidades.


Cultura Colonial e Complexo de Superioridade

A cultura colonial presente nas instituições do Estado e o complexo de superioridade que as permeia as impedem de reconhecer as formas organizativas do povo brasileiro. Essa desconexão resulta na deslegitimação das formas de organização comunitária e na imposição de modelos que carecem de sentido e condições objetivas para serem assimilados. Além disso, o governo financia essas instituições, que atuam como opressoras nas organizações sociais.

Esse resquício colonial representa um obstáculo significativo à construção de uma sociedade mais justa e igualitária. Essa dinâmica se manifesta na atitude de superiores que chegam às instituições com a intenção de "dialogar" a partir de uma perspectiva que sugere que as comunidades precisam mudar para se adequar ao governo e se beneficiar de políticas públicas.

Empoderadas como colonizadoras, essas instituições não se constrangem ao se considerarem mais sábias e capacitadas do que as comunidades que pretendem ajudar. Isso resulta em uma abordagem paternalista e autoritária, que não apenas ignora as formas de organização e resistência das comunidades, mas também impõe soluções inadequadas às suas reais necessidades.


Perda de Legitimidade do Governo

A cegueira estrutural gerada pela cultura colonial nas instituições resulta na perda de legitimidade dessas entidades, e, por consequência, do próprio governo, perante as comunidades que se propõem a ajudar. As pessoas começam a questionar a capacidade dessas instituições de representar seus interesses e necessidades, buscando alternativas e se afastando de uma força política eleita que não cumpre seu papel. Em vez disso, essa força reproduz as opressões decorrentes da cegueira estrutural.

É essencial que as instituições e o governo reconheçam e superem essas limitações para contribuir na construção de uma sociedade mais justa e igualitária. Isso deve ser feito em parceria com as comunidades já estabelecidas nos territórios, que buscam respeito e fortalecimento de suas estruturas participativas, sempre sob sua própria governança.