É A CONSCIÊNCIA DE
CLASSE QUE DEVE ORIENTAR NOSSAS DECISÕES NA HORA DE VOTAR E DE COBRAR DOS NOSSOS
GOVERNANTES.
Três Conceitos:
Classe Social; Estratificação Social; e Categoria Profissional
Por João Batista - jbatist7@gmail.com
Temos visto, com certa
frequência, afirmações que atribuem o fato de os trabalhadores votarem em seus
algozes (pessoas que defendem interesses contrários à sua classe), à falta de Consciência de Classe.
Portanto, ao tomar
consciência os trabalhadores saberiam identificar os diferentes personagens e
seus papeis na política, bem como lideranças dos trabalhadores, a serem
eleitas, saberiam exercer seu papel com coerência, sem se deixar seduzir e
trair seus iguais.
Vamos fazer aqui um texto
básico para comunicar aos nossos filhos. Precisamos distinguir alguns conceitos: Classes
sociais: trabalhadora, capitalista e classe média; Estratificação Social e
Categoria Profissional. ‘Precisamos distinguir para não nos confundir e não nos
deixar iludir’.
O que distingue as
classes não é a riqueza, mas a sua fonte de renda. Por isso, uma categoria
profissional mais rentável não faz com que haja mudança de classe social. Também não é a autonomia na gestão de um “empreendimento” que
caracteriza a localização na classe. Quando a pessoa só tem renda renda se
trabalhador diretamente no seu negócio, então ela é classe trabalhadora, pois
vive do que ela própria consegue produzir com seu suor.
*As classes sociais têm
interesses diferentes e contraditórios*:
A Classe Trabalhadora
A Classe Trabalhadora – Classe
Operária – Classe Proletária = Vende sua força de trabalho e sua renda vem do
que ela consegue receber do patrão contratante. Ela não possui outra fonte de
renda além da que consegue com sua capacidade de produzir, e suas propriedades
se resumem a bens pessoais de consumo (roupas, móveis, imóveis de uso próprio).
Não possui Meios de Produção nem compra Mão de Obra de outros
trabalhadores.
A Classe Capitalista
A Classe Capitalista – Classe Patronal – Rentistas é formada por aqueles que têm sua renda derivada do investimento
financeiro, seja através de renda (acionistas, rentistas, investidores) ou
através de uma empresa (comércio, fábrica, serviço) operados por terceiros
(trabalhadores contratados). A renda dessa pessoa vem do resultado do trabalho
de outras pessoas que além de produzir para pagar os custos da empresa, há uma
sobra, que é o lucro, apropriado pelo patrão.
A Classe Média
A posição da classe média no sistema de
classes apresenta ambiguidades, pois está dos dois lados. Tanto precisa
trabalhar, quanto tem renda oriunda de investimento de capital e expropriação
do trabalho alheio. Embora muitos integrantes dessa classe vendam sua força de
trabalho – como pequenos empreendedores ou profissionais liberais –, alguns
também contratam trabalhadores, acumulando parcelas de capital.
Essa dualidade não é medida pelo tamanho da
riqueza, mas pelo lugar social, vale tanto para um jogador de futebol
milionário que tem em torno de si muitos funcionários, mas que se não jogar/trabalhar
não recebe, quanto para um profissional liberal ou pequeno empresário, que tenha dois ou três
funcionários.
A classe média, no entanto, tende a reproduz
valores em favor da classe capitalista, pois gostaria de pagar menos aos seus
funcionários, embora goste de ganhar o máximo pela sua atuação profissional.
Essa prática da classe média enfraquecem a solidariedade de classe,
dificultando ações coletivas.
Estratificação
Social: Classificação da Sociedade pela Capacidade de Consumo
A Estratificação social é baseada na capacidade
de consumo (classes A, B, C, D) refere-se a uma classificação de indivíduos
conforme renda e padrão de vida. Essa categorização, amplamente utilizada em
estudos de mercado e pesquisas sociais, não leva em conta as relações de
exploração ou poder presentes nas análises de classe. Por exemplo, um indivíduo
da classe A pode pertencer à classe trabalhadora – como um médico
bem-remunerado – ou à classe capitalista, como um grande investidor. Essa
abordagem, ao priorizar aspectos de consumo, "naturaliza" hierarquias
socioeconômicas e obscurece conflitos estruturais.
Categorias Profissionais
Outro conceito frequentemente confundido com classe
são as Categorias Profissionais, que dizem respeito às funções
específicas no mercado de trabalho. Por exemplo, professor, agricultor, advogado, médico e
doméstica são categorias, mas não determinam, por si só, a classe a que
pertencem. Uma empregada doméstica e um engenheiro, apesar de exercerem funções
diferentes, podem fazer parte da mesma Classe Trabalhadora, pois ambos
dependem da venda de sua força de trabalho para subsistir. Essa distinção é essencial
para compreender que a dinâmica de classe vai além do tipo de ocupação.