quarta-feira, 12 de fevereiro de 2025

 

A SÍNDROME DO DIAGNÓSTITO E PLANEJAMENTO: A eterna roda do destino dos governos Federal e Estaduais

João Batista - jbatist7@gmail.com 

Por que será que os governos não conseguem dialogar com as famílias rurais e repetem as mesmas atividades de diagnósticos e planejamentos, sem consequências práticas?

As cooperativas e associações, desde há muito, mas precisamente, desde 1995, têm recebido insistentemente visitas de técnicos de diferentes instituições, financiados pelos governos estadual ou federal, para fazerem diagnósticos e planejamentos nas instituições. Muitas vezes, há sobreposição de atividades com instituições diferentes chegando um dia depois de outra já ter feita a mesma coisa no dia anterior.

Há também outras formas de construção de conhecimento coletivo, a exemplo dos fóruns, conselhos, conferências (ATER, juventudes, segurança alimentar...), ONGs, redes de entidades... que produzem reflexões pertinentes e proposições efetivas visando incidir em políticas públicas. Ignoradas pelos governos.

Além disso, há dados produzidos por instituições públicas como IBGE, IPEA, EMBRAPA... Nada disso é aproveitado pelos gestores para orientar a definição das políticas e continuam fazendo diagnósticos,
levantamentos e planejamentos inconsequentes.

Além do mais, ainda, é exigido que em cada projeto enviado ao governo através de editais, seja apresentado um diagnóstico detalhado da situação conjuntural do contexto: cadeia produtiva, arranjo produtivo, segmentos sociais envolvidos, dinâmica territorial...

Dados que já são (ou deveriam ser) conhecidos dos governos, pois são reiteradamente construídos, reconstruídos, rereconstruídos... Mas tudo acontece como se estivéssemos diante de uma grande novidade antropológica que exige infinita busca de compreensão.

Lembro que em 1995, a CONTAG apresentou o PADRSS - Projeto Alternativo de Desenvolvimento Rural Sustentável e Solidário - https://ww2.contag.org.br/padrss---projeto-alternativo-de-desenvolvimento-rural-sustentavel-e-solidario que já, naquele momento, apresentou propostas de políticas públicas para melhorar a qualidade de vida dos Agricultores Familiares. Ignorado pelos governos.

Passando pelo Desenvolvimento Local Integrado e Sustentável (DLIS), ainda na década de 90, e outras tantas centenas de ações repetindo as mesmas estratégias, sem resultados que se aproximem das expectativas criadas, e sem constrangimento do poder público, mas com bastante ojeriza da população que "só vê conversa".

Ao começar sempre do zero e nunca enxergar os Agricultores Familiares, sempre tratados como ilustres desconhecidos, que justificam eternamente fazer seguidos diagnósticos, sem constrangimento por parte do governo ao se comportar como abusador da paciência dos agricultores, e pela absurda desconsideração pelas tantas falas não ouvidas, a exemplo das Conferências,

Essa prática caracteriza um desrespeito retumbante aos Agricultores Familiares e não deveria servir para justificar financiamento de universidades, sistema S, Centrais de Cooperativas e outras instituições para
fazerem esse desnecessário papel ridículo de eternos recenseadores da Agricultura Familiar, Pois já é sabido que os governos não considerarão os resultados e, na sequência, virão novos projetos de diagnóstico e planejamento...

Agora, vale acrescentar o substantivo INOVAÇÃO, como se os problemas da produção de alimentos fossem práticas obsoletas das famílias. Parece que está em tempo de abandonarmos esses engodos e partirmos para enfrentar os problemas reais que todos já conhecemos, tanto as causas como as
consequências.

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