segunda-feira, 3 de fevereiro de 2025

 

É A CONSCIÊNCIA DE CLASSE QUE DEVE ORIENTAR NOSSAS DECISÕES NA HORA DE VOTAR E DE COBRAR DOS NOSSOS GOVERNANTES.

Três Conceitos: Classe Social; Estratificação Social; e Categoria Profissional

Por João Batista - jbatist7@gmail.com 

Temos visto, com certa frequência, afirmações que atribuem o fato de os trabalhadores votarem em seus algozes (pessoas que defendem interesses contrários à sua classe), à falta de Consciência de Classe.

 

Portanto, ao tomar consciência os trabalhadores saberiam identificar os diferentes personagens e seus papeis na política, bem como lideranças dos trabalhadores, a serem eleitas, saberiam exercer seu papel com coerência, sem se deixar seduzir e trair seus iguais.

Vamos fazer aqui um texto básico para comunicar aos nossos filhos. Precisamos distinguir alguns conceitos: Classes sociais: trabalhadora, capitalista e classe média; Estratificação Social e Categoria Profissional. ‘Precisamos distinguir para não nos confundir e não nos deixar iludir’.

O que distingue as classes não é a riqueza, mas a sua fonte de renda. Por isso, uma categoria profissional mais rentável não faz com que haja mudança de classe social. Também não é a autonomia na gestão de um “empreendimento” que caracteriza a localização na classe. Quando a pessoa só tem renda renda se trabalhador diretamente no seu negócio, então ela é classe trabalhadora, pois vive do que ela própria consegue produzir com seu suor.

*As classes sociais têm interesses diferentes e contraditórios*:

 

A Classe Trabalhadora

A Classe Trabalhadora – Classe Operária – Classe Proletária = Vende sua força de trabalho e sua renda vem do que ela consegue receber do patrão contratante. Ela não possui outra fonte de renda além da que consegue com sua capacidade de produzir, e suas propriedades se resumem a bens pessoais de consumo (roupas, móveis, imóveis de uso próprio). Não possui Meios de Produção nem compra Mão de Obra de outros trabalhadores.

 

A Classe Capitalista

A Classe Capitalista – Classe Patronal – Rentistas é formada por aqueles que têm sua renda derivada do investimento financeiro, seja através de renda (acionistas, rentistas, investidores) ou através de uma empresa (comércio, fábrica, serviço) operados por terceiros (trabalhadores contratados). A renda dessa pessoa vem do resultado do trabalho de outras pessoas que além de produzir para pagar os custos da empresa, há uma sobra, que é o lucro, apropriado pelo patrão.


A Classe Média

A posição da classe média no sistema de classes apresenta ambiguidades, pois está dos dois lados. Tanto precisa trabalhar, quanto tem renda oriunda de investimento de capital e expropriação do trabalho alheio. Embora muitos integrantes dessa classe vendam sua força de trabalho – como pequenos empreendedores ou profissionais liberais –, alguns também contratam trabalhadores, acumulando parcelas de capital.

Essa dualidade não é medida pelo tamanho da riqueza, mas pelo lugar social, vale tanto para um jogador de futebol milionário que tem em torno de si muitos funcionários, mas que se não jogar/trabalhar não recebe, quanto para um profissional liberal ou pequeno empresário, que tenha dois ou três funcionários.

A classe média, no entanto, tende a reproduz valores em favor da classe capitalista, pois gostaria de pagar menos aos seus funcionários, embora goste de ganhar o máximo pela sua atuação profissional. Essa prática da classe média enfraquecem a solidariedade de classe, dificultando ações coletivas.


Estratificação Social: Classificação da Sociedade pela Capacidade de Consumo

A Estratificação social é baseada na capacidade de consumo (classes A, B, C, D) refere-se a uma classificação de indivíduos conforme renda e padrão de vida. Essa categorização, amplamente utilizada em estudos de mercado e pesquisas sociais, não leva em conta as relações de exploração ou poder presentes nas análises de classe. Por exemplo, um indivíduo da classe A pode pertencer à classe trabalhadora – como um médico bem-remunerado – ou à classe capitalista, como um grande investidor. Essa abordagem, ao priorizar aspectos de consumo, "naturaliza" hierarquias socioeconômicas e obscurece conflitos estruturais.


Categorias Profissionais

Outro conceito frequentemente confundido com classe são as Categorias Profissionais, que dizem respeito às funções específicas no mercado de trabalho. Por exemplo, professor, agricultor, advogado, médico e doméstica são categorias, mas não determinam, por si só, a classe a que pertencem. Uma empregada doméstica e um engenheiro, apesar de exercerem funções diferentes, podem fazer parte da mesma Classe Trabalhadora, pois ambos dependem da venda de sua força de trabalho para subsistir. Essa distinção é essencial para compreender que a dinâmica de classe vai além do tipo de ocupação.


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