segunda-feira, 24 de fevereiro de 2025

 O FIM DA EPIFANIA E A ANGÚSTIA DA DÚVIDA

Por João Batista - jbatist7@gmail.com  

Na década de 70, vislumbrou-se o fim da ditadura. Houve intenso trabalho de formação política e atuação social na América Latina em prol da construção da democracia. No Brasil, a campanha das Diretas Já, foi o ápice de uma conjuntura que vinha sendo redesenhada.

Naquele momento de epifania, superou-se o medo e a subserviência e se acumulou energias para enfrentar os ditadores, com a certeza de que derrotaria aquele modelo autoritário. Em um útero cheio de vida fez-se o parto de Centros de Educação, Partidos Políticos, Frentes de Luta, Entidades Sindicais, Movimentos Acadêmicos e Estudantis, Teologia da Libertação e da Comunhão, Conselhos de Moradores, Associações várias, Clubes de Mães, ONGs com diferentes finalidades etc.

Esse estado Flow, de iluminação e criatividade durou até meados da década de 2000, quando então começou o movimento contrário (Teologia da Prosperidade - ao Deus Dinheiro e Teologia do Domínio - perseguidora e inquisidora; Associação de Atiradores (CACs); Milícias; Lawfere; Defesa a Torturadores; Neonazis; Fake News...)    que culminou com o golpe em 2016 e perdura.

Desde as privatizações absurdas feitas por FHC, não revistas na gestão do PT; aos dias atuais, quando Reformas (trabalhista, previdência, ensino médio...) criticadas e, na sequencia assimiladas; tantas outras privatizações ou concessões privatizando o patrimônio público; juros altos criticados e, na sequencia, não baixados; Dívida pública absurda naturalizada e não auditada. Estamos vivendo em uma grande farsa em que tudo o que vemos é mais do mesmo..

Com a falta de criatividade e de foco pelos políticos eleitos que abandonam as bandeiras sociais defendidas na campanha, e isto se aprofundando a cada eleição, saímos da terra fértil produtora de tantos frutos e voto por convicção, passando pela pré-desilução vivendo na terra da esperança em sinais que ainda se vislumbra no horizonte e o voto útil. Os sinais no horizonte não se aproximavam, mas distanciavam, chegamos a uma terra árida da desesperança e do voto cada vez mais inútil. 

Enfim, esbarramos em um limite e precisamos de nova EPIFANIA.


Nenhum comentário:

Postar um comentário

Os comentários deverão ser aprovados por moderadores antes de sua publicação.