sexta-feira, 21 de março de 2025

A Maria Mãe de Jesus não é alienada, e a reza do terço não justifica conservadorismo preconceituoso

Por João Batista - jbatist7@gmail.com

Ao rezar o terço como devoção à Maria, Mãe de Jesus, é importante compreender que essa prática não deve ser usada como justificativa para defender causas moralistas ou julgamentos rígidos sobre os outros. Maria, em sua humildade e fé, nunca se colocou acima de ninguém, mas sim como serva do Senhor que destrói os opressores, conforme expresso no Magnificat.

Um exemplo claro da postura de Maria é o momento em que ela acompanhou Jesus até à cruz, mesmo sabendo que Ele estava sendo condenado pelos líderes religiosos da época. Maria não retornou ao templo para defender tradições ou práticas religiosas que haviam se tornado opressoras. Em vez disso, ela permaneceu ao lado de seu Filho, testemunhando o amor incondicional de Deus pela revolução das práticas humanas. Isso nos ensina que a verdadeira devoção a Maria é seguir seu exemplo de acolhimento, misericórdia e solidariedade com os que sofrem.

Portanto, rezar o terço e honrar Maria deve nos levar a refletir sobre sua mensagem de justiça e libertação, presente no Magnificat: "Ele derrubou os poderosos de seus tronos e exaltou os humildes. Encheu de bens os famintos e despediu de mãos vazias os ricos" (Lc 1,52-53). Maria nos convida a lutar por um mundo mais justo e fraterno, onde os valores do Evangelho (a Boa-Nova aos que sofrem) prevaleçam sobre o julgamento e a exclusão. Honrá-la é seguir seu exemplo de fé ativa, que transforma vidas e constrói pontes, em vez de erguer muros.

Lucas (Lc 1,46-55), na tradução da Bíblia Ave Maria:

46 A minha alma engrandece ao Senhor,
47 e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador,
48 porque olhou para a humildade de sua serva.
Por isso, desde agora, todas as gerações me chamarão bem-aventurada,
49 porque o Poderoso fez grandes coisas em meu favor.
O seu nome é santo,
50 e a sua misericórdia se estende, de geração em geração,
sobre aqueles que o temem.
51 Ele mostrou a força de seu braço:
dispersou os soberbos de coração.
52 Derrubou do trono os poderosos
e exaltou os humildes.
53 Encheu de bens os famintos
e despediu de mãos vazias os ricos.
54 Acolheu a Israel, seu servo,
lembrando-se de sua misericórdia,
55 conforme prometera a nossos pais,
em favor de Abraão e de sua descendência, para sempre.

Amém!

sábado, 8 de março de 2025

 A Geração Z não se adapta ao modelo tradicional de trabalho: sementes para a Economia Solidária?

                                                                                                                                          Por: João Batista

Caracterização da Geração Z

Propósito justo e ações significativas

A Geração Z (nascidos entre 1997 e 2012) cresceu em um contexto de mudanças significativas no mercado de trabalho e nas expectativas profissionais. Eles buscam significado e propósito em suas carreiras, mas frequentemente encontram discrepâncias entre suas expectativas e a realidade. Ao entrar no mercado de trabalho, descobrem que muitos empregos priorizam a geração de lucros sobre o bem-estar dos funcionários, o que os leva a questionar o sentido de seu trabalho. Isso pode gerar desmotivação e desengajamento.

 Valorização da autonomia e flexibilidade

A Geração Z valoriza a autonomia, flexibilidade e liberdade para criar seu próprio caminho. Eles não querem apenas um salário, mas também significado, propósito e realização pessoal. Além disso, a exposição constante às redes sociais e ao empreendedorismo online os inspira a buscar alternativas mais criativas e autônomas. Como resultado, muitos jovens da Geração Z optam por carreiras não tradicionais, freelancing, empreendedorismo ou até mesmo abandonam o mercado de trabalho convencional para buscar seus próprios projetos e paixões.

Protagonismo e liberdade financeira

A Geração Z busca financiar seu estilo de vida desejado, não apenas cumprir horários e metas corporativas. Eles aspiram à liberdade financeira para realizar seus sonhos, viagens, investimentos e projetos pessoais. Não querem apenas um salário, mas também controle sobre seu tempo, criatividade e destino. A mentalidade empreendedora e a exposição a histórias de sucesso nas redes sociais os inspiram a buscar riqueza e prosperidade para si mesmos, não apenas para enriquecer patrões ou corporações.

Pontos de convergências entre a Geração Z e a Economia Solidária

Trabalho em equipe, inclusão e sustentabilidade

A Economia Solidária e a cultura da Geração Z compartilham princípios fundamentais que enfatizam o trabalho em equipe, a colaboração, a inclusão e a sustentabilidade. A Economia Solidária promove uma abordagem coletiva e comunitária para a produção e consumo, destacando a importância de trabalhar em conjunto para o benefício mútuo.

Busca de soluções coletivas em redes

A Geração Z, que cresceu em um contexto de interconexão digital, valoriza o trabalho em grupo e a construção de redes sociais como formas de engajamento e apoio comunitário. Essa geração tende a buscar soluções coletivas para problemas sociais, alinhando-se com a filosofia da Economia Solidária que prioriza o bem-estar da coletividade em detrimento do lucro individual.

Compromisso social e sustentabilidade

Além disso, tanto a Economia Solidária quanto a Geração Z demonstram um forte compromisso com a sustentabilidade e a responsabilidade social. A Economia Solidária propõe modelos econômicos que respeitam o meio ambiente e promovem práticas de consumo consciente. Da mesma forma, a Geração Z é frequentemente descrita como uma geração ambientalmente consciente, que se mobiliza em torno de questões como mudanças climáticas e justiça social. Essa preocupação compartilhada com a sustentabilidade e a ética reflete-se em suas escolhas de consumo, com muitos jovens optando por marcas que adotam práticas responsáveis e sustentáveis, alinhando-se aos princípios da Economia Solidária.

Desmonte das estruturas de poder alienante e injustas

Em síntese, a Geração Z tem uma abordagem crítica em relação às estruturas de poder e às instituições tradicionais, o que ressoa com a filosofia da Economia Solidária que busca desafiar e transformar sistemas econômicos injustos. Essa geração é caracterizada por seu ativismo e por um desejo de promover mudanças sociais significativas, muitas vezes utilizando plataformas digitais para mobilizar e unir pessoas em torno de causas comuns.

Construção de alternativas criativas e inovadoras

Portanto, essa disposição para questionar normas estabelecidas e buscar alternativas inovadoras é um aspecto fundamental da Economia Solidária, que também propõe modelos alternativos de organização econômica e social, baseados na solidariedade e na justiça. Assim, as semelhanças entre os princípios da Economia Solidária e a cultura da Geração Z criam um terreno fértil para a colaboração e a transformação social.

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