segunda-feira, 21 de abril de 2025


A ESPECULAÇÃO FINANCEIRA É UM SAQUE AOS TRABALHADORES

Por João Batista


Ao ver especuladores e rentistas reclamando dos impostos chega a ser constrangedor, pois são eles os verdadeiros saqueadores da riqueza produzida pelos trabalhadores e não o Estado.

A verdadeira fonte da riqueza está no encontro entre o trabalho humano que conecta os recursos da natureza, processamento e logística de distribuição:

A verdadeira fonte da riqueza está no encontro entre o trabalho humano que conecta os recursos da natureza, processamento e logística de distribuição com os consumidores.

Caminho da Riqueza

1. da natureza (fonte de tudo). É aí que tudo começa: na extração de minérios (água, areia, ouro, ferro...); na coleta: pesca, extração (madeira, frutos, cipós...) e caça; na agropecuária (produção estruturada de animais e plantas),  Tudo o que sustenta a vida e os produtos que usamos vem dessa base primária, feita com suor, conhecimento tradicional e muita força de vontade. Sem isso, não há alimento, não há matéria-prima, não há sociedade.

O que for retirado nessa fase 1, além de custear a si mesma, vai pagar todas as despesas das etapas posteriores.

2. Depois vem o trabalho que transforma e agrega valor: cozinhar, construir, costurar, fabricar, embalar, inventar novas tecnologias. Aqui a riqueza toma forma pelo TRABALHO. Cada item que consumimos passou pelas mãos de muitas pessoas.

3. E ainda tem o trabalho de quem comercializa, transporta, cuida, ensina e comunica, garantindo que essa produção circule e atenda às necessidades da população. Essa cadeia toda é movida por gente comum, que trabalha muito, mas recebe pouco.

Portanto, toda a riqueza para sustentar a população e, inclusive o excedente para pagar os impostos saem desse sistema descrito acima. Porém, além dos impostos que vão para o Estado, a maioria vai para os especuladores que ganham sem trabalhar e sequer pagam impostos devidamente.


PARA ONDE VAI A RIQUEZA

A maior parte da riqueza não fica nas mãos de quem trabalha. Ela é expropriada por quem opera no topo da pirâmide, por meio de bancos, fundos financeiros, especulações e monopólios. Essas pessoas não produzem nada, mas lucram com o que já foi produzido pelo trabalho alheio. Operam como sanguessugas à espreita para saquear.

Através de juros, dívidas, manipulação de preços e controle de mercados, elas sugam a riqueza gerada na base. É como se plantássemos a árvore, colhêssemos seus frutos, e fossemos roubados por uma minoria que tem fome insaciável. Não ficamos nem com o caroço da fruta.

Esse sistema não é tido como "um erro": é parte de uma estrutura pensada para concentrar a riqueza e esvaziar o valor do trabalho. Por isso é tão importante se ter consciência de classe e todo trabalhador entender de onde realmente vem o que sustenta a sociedade, que é do seu trabalho.

A riqueza só é possível pelo trabalho e por uma fonte da natureza. Ela não nasce do dinheiro parado ou do lucro fácil dos especuladores, mas do esforço coletivo, da relação com a terra e do cuidado entre as pessoas. A justiça social começa quando reconhecemos e defendemos nossos direitos, que produzimos vida, e retirarmos de cena os especuladores que produze miséria e morte.

quinta-feira, 17 de abril de 2025

 A democratização das Estruturas de poder para além do Estado

Por João Batista

As formas de organização social, embora distintas, foram estruturadas de tal modo e resultou  no que acostumamos a chamar de “Estado”. O Estado moderno, desde a Proclamação da República, consolidou-se como uma estrutura baseada na divisão de poderes e na participação cidadã, inspirada em princípios iluministas que reorganizou o Estado no formato de três poderes: Executivo, Legislativo e Judiciário que se fiscalizam entre si e devem funcionar em equilíbrio, de forma harmoniosa.

No entanto, outras instituições sociais (empresas, igrejas, bancos, Instituições de ensino e outras) mantêm modelos arcaicos, pré-república, de organização, reproduzindo hierarquias verticais e autoritárias que contradizem os avanços democráticos. Não fizeram a Proclamação da República em suas relações.

Enquanto o Estado busca legitimidade via representação, tais instituições operam sob lógicas monocráticas, reproduzindo feudos, monarquias, aristocracias, oligarquias...minando a justiça social. Essa dissonância exige reflexão sobre como expandir os ideais republicanos para além das fronteiras estatais.

Por exemplo: se são os operários (“povo”) que produzem a riqueza das empresas, por que não são eles que tomam as decisões? O patrão é o monarca e dono da riqueza produzida, isto contradiz os princípios da sociedade republicana e é uma contradição dos liberais, quando operam como absolutistas..

Monarquias contemporâneas e a incoerência dos liberais.

Assim como as monarquias absolutistas, empresas, sistema financeiro e igrejas concentram poder em figuras individuais — patrões, papas/pastores, CEOs ou acionistas majoritários —, reforçando assimetrias que negam a pluralidade de vozes e constroem e perpetuam concentração de renda, produzem injustiças estruturais.

No caso das finanças, geram o travamento das finanças pela incapacidade de consumo da população e, no caso das religiões, discriminações e preconceitos excludentes que marginalizam membros da sociedade que não correspondem aos seu modelo particular de valor. Instituições que operam como a "Cama de Procusto".

Nas empresas, a tomada de decisão verticalizada e privatizada, mesmo sendo a riqueza produzida coletivamente pelas equipes de trabalho, ignora interesses de trabalhadores e comunidades, priorizando lucro dos “monarcas” sobre a dignidade e o bem-estar de quem produz a riqueza. Esse modelo, análogo ao ancien régime, é responsável pelas desigualdades e deslegitima demandas por equidade.

A crítica a essa estrutura (incoerente com o discurso neoliberal que apregoa a liberdade individual, mas nega os indivíduos na empresa, abre caminho para discutir alternativas já existentes, que é a Economia Solidária, como as cooperativas, associações e empresas autogestionárias.

Economia Solidária

Cooperativas, por exemplo, demonstram que modelos horizontais são viáveis, combinando eficiência econômica com participação democrática. Nelas, cada membro tem voz e voto, distribuindo benefícios de forma equitativa (cada um recebe conforme movimentou seus negócios via cooperativa).

Essas experiências comprovam que a lógica republicana — baseada no bem comum e na cogestão — não é utópica, mas uma possibilidade concreta. Contudo atualmente, apesar de sua escala limitada e/ou contradições aberrantes que negam os princípios do coopertivismo, a cooperação contrasta com o domínio oligárquico do mercado, evidenciando a necessidade de ampliar seus princípios para esferas macroeconômicas.

Empresas, mercado e igrejas: feudos e OLIGARQUIAS ANTIGAS com feições modernas.

O sistema financeiro global opera como um latifúndio do século XXI, onde conglomerados bancários e fundos de investimento controlam recursos de forma concentrada, similares a senhores feudais. O mesmo se aplica às religiões que através de domínio centralizado justificam atitudes e fundamentam comportamentos através da manipulação das mentes pelo medo.

Essa dinâmica oligárquica reforça a urgência de ser repensada, pois esses poderes desconectados da busca pelo bem-estar social contaminam negativamente a atuação do Estado enquanto República que passa atuar sob controle de grupos que adotam práticas corporativas e naturaliza a corrupção.

A Proclamação da República nas empresas: construção de governança compartilhada

Assim como a queda da monarquia no Brasil (1889) representou a ruptura com o personalismo, empresas precisam adotar estruturas deliberativas que incluam trabalhadores, consumidores e comunidades em conselhos decisórios. A democratização empresarial é uma questão ética, funcional e prepara o terreno para reformas no modificações estruturais no sistema financeiro.

A República não se esgota na esfera estatal: é um projeto civilizatório que deve permear todas as instituições. Se igrejas, empresas e mercados permanecem enclaves autocráticos, a democracia será sempre incompleta, a emancipação social exige "democratizar a democracia". 

Movimentos sociais, academia e legisladores precisam reorganizar suas agendas de reivindicações para incluir a DEMOCRACIA em todos os setores sociais. Criar marcos regulatórios que transplantem os ideais republicanos — transparência, participação e justiça — para a superação dos atuais mecanismos de opressão ainda presentes na sociedade.